
O grupo
Composição: Teresa Colaço Teresa Muge Margarida Guerreiro (Eduarda Alves) + Ana Maria Guerreiro
+ A Eduarda Alves, a Eduardinha como carinhosamente era referida pelas companheiras de trabalho, infelizmente faleceu pouco tempo antes da edição do disco "Já cá vai Roubado!", de Março de 2001
Surgiram quando foi necessário uma apresentação da Serra do Caldeirão, nas suas expressões Algarvia e Alentejana, na Festa do Desenvolvimento Local - Manifesta 1994 em Santarém. Os cantares da Serra eram muitos, os improvisos e acontecimentos espontâneos também, mas...não havia nenhum grupo organizado que pudesse apresentar ao público com toda a essência e alegria próprias deste sul interior do país. Surgiram naturalmente de uma grande vontade de cantar e de partilhar esse gosto umas com as outras. Depois de alguns serões e de outras festas e eventos aperceberam-se de que havia um lugar vago e com urgência de ser preenchido na Música Popular Portuguesa: a música da Serra Algarvia. Recolhas na Serra do Caldeirão, primeiro por uns amigos - O Daniel Vieira e o Helder Raimundo - depois por elas próprias, logo se aperceberam que os cantares que os mais velhos sabiam, faziam parte de um conjunto de temas que viajam de boca ( e alma ) das pessoas de Norte a Sul de Portugal. Com interesse "apanhavam" um tema num local com uma melodia que depois iam encontrar noutro local com outras palavras... Desde logo, as Moçoilas não se ficaram pela recolha dos temas - letra e melodia - procuraram a sua relação com o mundo dos sentidos: os cheiros, os sabores, os sons, as cores... e é isso que tentam recriar sentindo-se elas mesmas como elo de ligação a uma cultura. Os mais velhos estão em e é preciso aprender tudo com eles, portadores que são de uma cultura que não pode morrer: e é necessário adoptá-la, reinterpretá-la, misturá-la com os tons de hoje, antes de a levar junto de outros. Os temas que apresentam são curtos, intensos e arranjados de forma a serem testemunho da alegria e nostalgia de uma Serra antiga e, em simultâneo, a apaixonar verdadeiramente tanto os mais novos como quem não é serrano. Fazem-se acompanhar de algumas percursões que partem do espontâneo, do improviso, dos objectos do quotidiano... Muitos destes temas poderão ter a marca do feminino, lavar a roupa, dar a comida aos animais, varrer a casa, educar os filhos...Outros trazem o masculino nas preocupações pelo trabalho fora de casa, na socialização entre pares, na recordação do labor na mina... Outros ainda revelam na paixão pela paixão um sentir comum e diferenciado ao mesmo tempo, de homens e mulheres, nas diabruras metediças, os amores desencontrados, os (des)encantos dos ciúmes, a nostalgia da paixão. A maior parte dos temas foram muito cantados por todos os que andaram nas campanhas do trigo no Alentejo e noutras campanhas de trabalho no Sul do País. Nesses tempos que eram outros, havia muito povo, muita gente, muitas festas e romarias, encontros e despiques, onde a manhã se sobrepunha à noite quase sem ninguém dar por isso; e enquanto uns cantavam outros gastavam as solas novas dos sapatos, dançando, brincando, inventando novas quadras e melodias. Nestes tempos que são outros, as Moçoilas divertem-se a fazer reviver alguns cenários e fervorosamente apostam em encantar os mais moços, que desconhecem algumas das suas raízes e os que, não sendo serranos, se podem afirmar pela diferença, descobrem, em conjunto com os que as ouvem, significados novos para palavras antigas, construindo pontes e revelando novas expressões de problemas idênticos. A partir da Serra iniciaram-se também noutros temas, nela inspirados, de compositores contemporâneos, nomeadamente de Amélia Muge. Já adoptaram um ou outro tema da Serra de Monchique e da de Espinhaço de Cão. Continuam a procurar novos temas, novos cheiros para adoptar e interiorizar de forma a comporem cada vez melhor o ramalhete das suas canções.

