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“Três dedos de conversa” que resultou numa rápida viagem sobre algumas curiosidades do grupo e, em particular, da simpática Ana Maria Palma.

A moçoila Ana Maria Palma
As ‘Moçoilas’ estão juntas há mais de dez anos e fazem um enorme sucesso. Quem assiste a um concerto, deste grupo constituído por quatro mulheres, não consegue ficar indiferente. Para além da música cantada existe uma representação que envolve o público e arranca inúmeras gargalhadas ao mesmo. As ‘Moçoilas’ encerraram a Semana da Leitura da Escola Prof. Doutor Aníbal Cavaco e Silva, em Boliqueime, na passada sexta-feira, e o semanário “O Louletano”, minutos antes, esteve à conversa com um membro do grupo.

Como define a música cantada e interpretada pelas ‘Moçoilas’?
Cantamos músicas tradicionais que têm sido recolhidas na Serra do Caldeirão. Cantarolamos músicas algarvias, alentejanas, originais com inspiração na música serrana e de alguns autores que nos são muito queridos como é o caso da Amélia Muge, Zeca Afonso e Sérgio Godinho, entre outros. Essencialmente cantamos estas músicas que nos têm sido ensinadas por velhotes que vivem na Serra, cantando à nossa maneira e tentando nos aproximar da forma como as pessoas na Serra cantam. Esta é a nossa forma de mostrar que nós, cá no Algarve, também temos músicas que se cantavam, cantam, e que esperemos que continuem a ser cantadas. Com as palavras nós podemos dizer muitas coisas a brincar e as pessoas da Serra são excepcionais nesse aspecto porque falam de coisas muito simples. Falam com trocadilhos, com segundos sentidos e de uma forma muito engraçada.
 
Esse é o ponto que cativa mais o público?
Por isso é que nos acham piada. Nós cantamos com aquelas terminações em ‘ri’, em termos de linguagem, como é o caso do ‘amori’ o que se torna muito engraçado. Aproximamo-nos da forma de falar da Serra e a nossa inspiração vem daí.
 
O projecto ‘Moçoilas’ é um hobby. Não existem planos para que seja de uma outra forma?
Continua a ser um hobby e não existe a possibilidade de passar a mais do que isso porque todas temos as nossas profissões.
 
É fácil conciliar as coisas?
No geral sim porque tentamos levar as coisas de uma forma muito informal e prazenteira. Normalmente os ensaios são feitos na minha casa e é quando fazemos porque costumamos dizer que aproveitamos os espectáculos para ensaiar. Somos quase sempre um bocadinho indisciplinadas nesse aspecto porque levamos isto de uma forma muito leve. Há alturas em que nos disciplinamos mais como é o caso de quando temos de gravar um cd, espectáculos importantes ou então temos muitas apresentações. Nessas alturas disciplinamo-nos e ensaiamos com regularidade. Pelo menos uma vez por semana fazemos um ensaio. De resto, vamos ao sabor das nossas vidas.
 
É fácil a convivência entre este grupo de quatro mulheres?
Temos uma grande cumplicidade. Temos cumplicidade a vários níveis. Em primeiro lugar somos amigas e como todas temos o bichinho pela Serra, e por valorizar a cultura serrana, as gentes serranas e nomeadamente a música, temos uma grande união.
 
E em relação aos espectáculos, costumam actuar mais na região do Algarve?
Costumamos actuar de Norte a Sul do país e também lá fora. Por exemplo, agora em Julho, vamos fazer uma tournée a Madrid. Nós pertencemos a uma agência de espectáculos, a Algarpalcos, que vende o nosso trabalho e daí que surjam diversos espectáculos.
 
Costumam participar em actividades pedagógicas?
Costumamos. Normalmente recebemos um cachet pelas nossas actuações mas nestes casos abdicamos com muito prazer pois tem este carácter pedagógico. Aproveitamos para lançar este bichinho que é a nossa cultura algarvia com as crianças.
Mas esta escola é especial para a Ana Maria?

Independentemente de eu pertencer ao grupo e de estar ligada à semana da leitura faz todo o sentido a nossa colaboração porque nós valorizamos a oralidade, a escrita e a leitura. Esta é uma oportunidade de as ‘Moçoilas’ darem o seu contributo valorizando a oralidade característica das pessoas serranas mostrando, aos mais jovens, como se canta, como se interage e se fala das coisas de uma forma tão prazenteira. Este é o nosso pequeno contributo dentro da Semana da Leitura e queremos deixar este “bichinho” aos miúdos. E as crianças são um bom público?
Elas acham piada ao nosso grupo, à forma como cantamos e aos conteúdos. Normalmente são canções muito malandrecas, sobretudo as algarvias, que falam muito dos amores e há sempre uma malícia e malandrice que os miúdos gostam. Como somos muito brincalhonas e mexidas gera-se esta comunicação, e empatia, entre o público nomeadamente o mais jovem.
Tem alguma canção que seja a sua preferida?
Eu gosto de várias. Ultimamente há uma que gosto preferencialmente, que canto sozinha, e digo-lhe porque é que gosto. É muito ternurenta e, sobretudo, os miúdos mais pequeninos gostam imenso. O filho da minha colega Teresinha, que tem dois aninhos, gosta particularmente desta canção que é a ‘Laranjinha’.
E vão cantar hoje?
Vamos sim.
Para quando a gravação de um novo cd?
Vamos ver se poderá estar para breve o terceiro cd.
Sílvia Inácio Martins
23 de Abril de 2008 | 13:18

 

EM SÍNTESE|"Qu'é que tens a ver com isso?" - Moçoilas

São as moçoilas Ana Maria Palma, Margarida Guerreiro, Teresa Colaço e Teresa Muge...que bom ouvi-las cantar, registar com tal afecto e qualidade parte das suas tradições - nossas. Álbum sucessor de "Já Cá Vai Roubado" de 2001, as Moçoilas têm em "Qu'é que tens a ver com isso?" um novo e fresco exercício sonoro, um disco baseado principalmente na recolha de algumas das tradições essencialmente algarvias - mas também alentejanas - assim como em algumas composições de José Mário Branco, José Afonso, Amélia Muge e Sérgio Godinho.
Essencialmente vocal - com alguma mas pouca percussão, "Qu'é que tens a ver com isso?" é um puro e belíssimo documento de registo de alguma da tradição oral que o tempo mais tarde ou mais cedo se encarregaria de varrer...assim já não varre. O resto, é também a boa disposição que faz deste disto um dos mais interessantes de 2006.
Porque a tradição ainda é o que era!
http://atrompa.blogspot.com/2006/09/em-soilas.html

 
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Canções tradicionais algarvias e não só

Partindo da recuperação de músicas tradicionais do Algarve, este grupo vocal interpreta velhas canções da Serra do Caldeirão, com algumas incursões ao Alentejo e a outras zonas do país como os Açores ou Trás-os-Montes, e distinguindo-se pela forma original. O repertório integra, na maior parte, cantigas populares tradicionais da região e, segunda a banda, “férteis no praguejar algarvio e nas saudáveis malandrices que dão o picante às histórias simples dos amores e às críticas sociais”.
http://www.folkmagazine.info/folkmaga.htm

 

Moçoilas: doces regionais algarvios

Outubro 14, 2003

São uma doçura estas Moçoilas. Todos os blogueiros algarvios estão obrigados desde já a deslocarem-se, no próximo dia 17, por volta das 21h30, à Biblioteca Municipal de Lagos. Vão ouvir o Algarve bem disposto (e por vezes algo malandreco) cantado a capella. Com sotaque serrado. Com Atitude. As Crónicas da Terra recuperam a prosa de reflexão ao espectáculo da Festa do Avante:

Injustamente, as Moçoilas foram vítimas dos atrasos e do mau alinhamento do palco do Auditório 1º de Maio, tocando para dezenas de pessoas, num espaço que pouco antes tinha rebentado pelas costuras. Os resistentes, esses, regozijaram com a graça das Mêçoilas na sua interpretação idiossincrática da tradição de repertório oral, maioritariamente, oriundo da Serra o Caldeirão. Singelas, donas de um divino encanto rural, de um delicioso sotaque do sul e um humor fresco e alcoviteiro, as quatro vozes enchem todo o palco. Instrumentos para quê? Não Precisam. Elas entram de mansinho, metem a primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e disparam com um corridinho. Além de recuperarem repertório regional, as Mêçoilas chegam mesmo a adaptar versos para a realidade urbana actual (dando conta de vizinhas que vêem o canal 18) e propositamente para a Festa do Avante, cantando uma espécie de cartão de visita. Que pena não ter a letra aqui à mão. Levem-nas para o estrangeiro que elas merecem. (5 de Setembro 2003)
http://www.cronicasdaterra.weblog.com.pt/arquivo/017730.html - 9k 

 
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...uma jóia musical "A capella"

A música tradicional do Algarve volta a aparecer no mapa da música portuguesa através de um dos mais originais e bem humorados grupos portugueses - As Moçoilas: uma jóia musical "Àcapella", que agora reaparece: "Q’é que tens a ver com isso?"
http://www.attambur.com/default.htm