Discografia
Qu' é Que tens a ver com isso? (2006)
Edição: Casa da Cultura de Loulé / Ocarina
" Qu' é que tens a ver com isso? " é o nosso modo de agradecer a todos quantos vêem sendo espoliados dos seus tesouros culturais pela doce pirataria a que nos vimos dedicando; é uma maneira de baralhar os espaços públicos e privados; é uma forma de interrogar esse privado muito público e esse público muito privado. Nasce do desejo de criar e oferecer à pilhagem as nossas próprias criaturas... E depois, se querem ir para o altinho, levem uma candeia, a ver se lá encontram a Luisinha; ela diz que todas as searas são loiras e que as ceifeiras gostam de laranjinhas, mas nós sabemos quem tem uma há muito tempo pelo que de embalo em embalo o melhor é desandar pois o ti Alves está farto de dizer que parreirinhas e frexeiros são cantigas sem maneiras e que as moças gostam é de cravos e rosas e de partos sem dor... Hã? O que é que têm a ver com isso? Não acredito! Pronto! O que tínhamos a dizer já dissemos e se o dissemos, 'tá dito!
Ao Zé, à Amélia, à Carmo, à Cristiana, ao Xico, ao Eduardo, à família, aos putos e aos bichos da família, aos vizinhos... e a todos quantos sabem que têm alguma coisa a ver com isso: sintam-se abraçados, beijocados e agradecidos.

Já Cá vai Roubado (2002)
Edição: Casa da Cultura de Loulé
Já cá vai roubado! Aqui vai roubado. Tudo roubado. Roubámos tudo. Incluindo a cassete ao Helder Raimundo: eles - o Helder e o Daniel Vieira - também já tinham surripiado aqueles cantos aos velhotes que as cantavam e cantam. Esses, por sua vez, haviam-se pilhado entre si indecentemente! E isso para não falar dos gamanços seculares entre regiões e lugares, no meio das mondas, das ceifas e das apanhas. Por isso, se culpadas, perdoadas. E sem tão pouco vergonha nenhuma, assumimos esta nossa tendência completamente: sempre que gostamos, sempre que tem a ver com lugares onde o canto obriga a pôr a voz p'ra for a, roubamos. Pomos sempre uns bocadinhos nossos - os nossos bocadinhos - mas também até aquela música chegar até nós já teve bocadinhos de muita gente! Quem canta um canto… começámos por uma abordagem corajosa, de resultados positivos: a tal cassete - preciosa - de temas cantados por várias vozes, recolhidos lá para os lados da Torre, de Alte, do Monte Ruivo; tudo Barrocal e Serra do Caldeirão (Eladina, eu tenho um amor em Alte, Pombinhas Passarinhos e Rolinhas, Eu já fui à tua horta, Joguei limão correndo, Puseram-se os dois se juntados, Deu-me a mim muito trabalho, Tenho tosse, Lárinda, Palmira, Não há noite mais alegre, Herodes, Marcela e manjerico, donde vens Mariazinha, Senhora Santana, Já cá vai roubado). Piratas de um romantismo feroz, como o primeiro assalto nos corre bem, viciámo-nos na prática de um roubo contínuo e desenfreado: àquele grupo lindo - Milho Rei - que veio de Moçambique participar na Manifesta de Tondela cantando música lusa de tempero africano, sacámos uma (cantiga de Rega de Trás-os-Montes); limpámos também uma à Migó do grupo Dar de Vaia (Dona Mariana - Serra do Espinhaço de Cão); dos Gaiteiros de Lisboa - uns moços cantadeiros de voz p'ra fora - apoderámo-nos de outra (Folia do Espírito - Açores); a pedido dos próprios roubados, palmámos mais outra (Sant'António - Serra de Monchique); ainda fruto da colaboração com outros piratas - o grupo Seara de Outono- regressámos ao assalto à cassete e lá nos acopoletámos com mais uma (Se fores à Quinta Nova - Cachopo)… A coisa chegou a um ponto que passámos a roubar a nós mesmas os cantos que estavam nas nossas memórias. Da Tasca do Santos (Já nã acredito - Vale da Rama); da infância (Corridinho - Professor Uva); de outras vivências que se tornaram colectivas (Amora madura - Alentejo). A nossa senda tornou-se lenda e lá fomos deitando o ouvido a outros tesouros guardados na voz de cantadores e cantadeiras que por aí animam os montes da Serra do Caldeirão (Amor serralheiro, Olá vizinha e Amora madura do Algarve, Torre). Não satisfeitas dedicámo-nos ao pilhanço dos pilhanços: os cantos que estão na voz de outros autores vivos. A vítima principal - parceira nossa de outras piratarias e, por isso, feliz de assim ser roubada - foi (por enquanto) a Amélia Muge: empalmámos primeiro uma (Pastorinho) e depois, com o descaramento próprio dos previamente inocentados, rapinámos outras ainda não gravaa (Bate-bate)… Mas a ladroagem não fica por aqui: acrescentem-lhe os jeitos de dizer, de vestir, de mexer, de fazer soar a palavra, de acompanhar o canto percutindo objectos tão estranhos quanto familiares (a pandeireta era do João Soares; as castanholas são da Tixa; a pinha de Cachopo; os guizos do Gonçalo; o Tàreja de Chefchauin)… e terão o nosso retrato quase perfeito. A té p grito da Eladina a gente agadanhou a Olhão! Confessamos: não estamos arrependidas, continuamos a roubar tudo; e muito felizes ficaríamos se outros nos roubasse também. Ao dispôr, as Moçoilas.

CAMALEÃO AZUL "O Sul" (2003)
O projecto Camaleão azul nasceu há cerca de ano e meio e reúne os dois músicos Tó Viegas e Viviane ambos pertencentes também á banda “Entre Aspas” e que manifestam assim o desejo de se lançarem em novas aventuras musicais abrindo assim um parêntesis até ao próximo trabalho da banda.
Este novo projecto estreia-se então com este primeiro trabalho intitulado “O SUL”, que pretende criar um diálogo entre a música e a poesia nascida no Algarve.
Uma proposta diferente que pretende valorizar a palavra em português.
A obra poética é de Fernando Cabrita, amigo dos músicos há já vários anos, que conta já com diversos títulos publicados e com quem já tiveram oportunidade de trabalhar em ocasiões anteriores.
Os poemas musicados foram escolhidos e extraídos do seu mais recente livro intitulado “O SUL” e que deu o nome ao álbum.
O resultado é uma serie de canções originais onde se misturam sonoridades electrónicas com outras de raiz mais tradicional e acústica com a utilização de adufe, viola braguesa, marimba, acordeão, alaúde árabe e sanfona entre outros, onde os poemas tomam novos sentidos e despertam novas sensações.
Os temas que compõem o CD são os seguintes:
Nocturno II
Anoitecer
Manhã em Barcelona
No final do verão
A velha casa abre
Nocturno III
Por Agosto á tarde forte
Pôr do sol no cabo São Vicente
Nocturno I
Largo da Sé
Este CD foi gravado durante o verão de 2002 no estúdio ZIPMIX recentemente criado por ambos, e contou com a participação de vários músicos algarvios entre os quais se destacam as
Moçoilas (um quarteto de vozes femininas que habitualmente cantam à capela),
Gonçalo Pescada (acordeão), Paulo Cunha (sanfona), Telmo Marroquino (guitarra eléctrica), Eduardo Ramos (alaúde), Bruno Cortes (bateria), Bruno Vítor (contrabaixo) e Mário, um actor cubano residente no Algarve.
http://camaleaoazul.com.sapo.pt/

MANIFestaSONS (1996)
Vários artista no ambito da Manifesta de Tondela

